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20/08/2015 Geraldo Junior
Vaquejada: bem mais que imaginamos
É difícil pensar que um dia a vaquejada possa acabar. Deixar a prática ficar as margens da legalidade é não reconhecer um patrimônio cultural nordestino, é esquecer tudo o que Luís da Câmara Cascudo, o maior folclorista do Brasil, disse na “Vaquejada nordestina e sua origem” de 1976, é negar um esporte genuinamente brasileiro (diferentemente do popular futebol) que prospera e gera uma movimentação econômica calculada em torno de R$ 164 milhões em aproximadamente quatro mil provas anuais.
 
Que a vaquejada evoluiu é fato. Deixou de ser apenas uma manifestação cultural da região nordeste brasileira. Hoje é uma modalidade esportiva como qualquer outra, em que envolve a técnica, habilidade, destreza e força na relação homem/animal. Relação na qual ainda resulta em polêmica. Principalmente quando o assunto é supostos maus tratos.
 
Apesar de que as competições oficiais e regulamentadas ainda fazem parte da menor fatia do bolo das provas realizadas em todo país, já existe uma conscientização mútua entre todos que se envolvem direta ou indiretamente com vaquejada. Exemplo disso vem das baias com a disseminação de novas alternativas no manejo com o cavalo. E o bovino? Já é comum observar em provas, as punições cada vez mais frequentes e severas quando se concretiza um dano físico ao boi dentro e fora da pista.    
 
Atualmente existem regras rígidas, fiscalização e controle através de Associações e órgão de vigilância sanitária.  Regulamentos criados pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Quarto de Milha - ABQM e Associação Brasileira de Vaquejada – ABVAQ, rigorosos no que diz respeito aos cuidados com a alimentação, transporte e acomodação da boiada usada nas provas de vaquejada.   
  
Já nesse ano, a maioria das vaquejadas pertencentes a circuitos e campeonatos está praticando na íntegra o regulamento da ABVAQ, criado com base no regulamento da ABQM e voltado exclusivamente para a modalidade vaquejada. Muitos promotores de eventos respaldados pela ABVAQ fazem questão de discutirem antes das provas com o Ministério Público e Associações protetoras de animais na busca de soluções viáveis sempre visando a manutenção da cultura, a preservação do esporte e o bem estar animal.
Todo esse controle e fiscalização já mostram por si só o quanto a vaquejada se tornou relevante não só para quem pratica o esporte. Para a realização de uma prova de Vaquejada, há o envolvimento de aproximadamente 270 profissionais, entre veterinários, juízes, inspetores, locutores, equipes de circuito como: organizadores, seguranças, limpeza, apoio de gado, entre outros. Além desta estrutura, ocorre também a contratação de pessoas ligadas às várias bandas musicais que fazem parte da programação dos shows, o setor de alimentação e outras atividades de apoio ao evento.
 
A vaquejada chega a lugares longínquos, em cidades tão pequenas em que praticamente é essa festa que faz a economia da cidade movimentar, devido ao número de visitantes que lotam os hotéis e pousadas para vivenciar um evento que dura pelo menos três dias de pura exaltação e resgate das raízes de um povo.
Em quase toda cidade nordestina há um parque de vaquejada. Estudos feitos pela Escola Superior de Agricultura em 2006 e atualizados em pesquisa recente apontam cerca de quatro mil vaquejadas ao ano e 60 destas apresentam premiação aos competidores superior a R$ 150 mil. Números que somados injetam mais de 600 milhões de reais em todo o Nordeste. A região é o segundo maior mercado de criação de cavalos da raça Quarto de Milha do país perdendo apenas para o Sudeste.
Por esses e outros vários motivos, é difícil pensar na possibilidade de um dia a vaquejada acabar.
 
Fotos: Silvio Photos  - Felipe Photos